Gênero: Queer

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Dos perigos da “essência homossexual”

Há, em toda essencialização, um perigo. Esse perigo está em olhar semelhanças e excluir diferenças. No âmbito da sexualidade, o que se faz é, a grosso modo, a apropriação deliberada, por parte de pessoas que se relacionam com pessoas do mesmo sexo, de uma categoria forjada no seio da medicina – que tinha como fim patologizar as sexualidades estéreis: a homossexualidade.

O que eu quero dizer é: não há uma essência “homossexual”, ou uma essência “lésbica”, ou “gay”. Ao afirmar isto, estamos reforçando um estigma que serviu para nos oprimir e nos excluir de uma outra categoria: a heterossexual, forjada no seio da ascenção capitalista.

O que há são homossexualidades. Há sim, a coincidência de pessoas que sentem desejo por pessoas do mesmo sexo. Porém, é fajuta a busca, por quem diz se “descobrir gay”, por uma origem da sua própria homossexualidade, como se quisesse provar, através de suas experiências na infância ou na adolescência, a legitimidade de sua “homossexualidade” essencial.

Ora bolas, o desejo está aí. Porque há esta vontade incessante de se provar que de fato se é homossexual? De que, naquele dia, naquele ano, se olhou com um certo interesse para o coleguinha do mesmo sexo na escola? E as experiências com o sexo oposto que, eventualmente, podem ter ocorrido? São um mero acidente, um “acontece”?

Não quero negar a existência de pessoas (ditas homossexuais) que realmente não têm atração pelo sexo oposto, ou que nunca se relacionaram com e não têm curiosidade alguma. Quero afirmar que, uma parcela significativa dos que se afirmam “gays”, já sentiram uma atração legítima por pessoas do sexo oposto e “apagam” isso da sua história ou des-legitimam esta experiência, em favor da defesa da homossexualidade essencial. Alguns chegam a afirmar e defender que há um gene homossexual.

Também não quero dizer que somos todos bissexuais, seres “em cima do muro”. Quero borrar este muro, torná-lo menos firme, resistente.

Se for para ir até a infância ou até as experiências sexuais da adolescência, que seja para descobrir que não temos essência, que não somos seres coerentes, que somos seres temporalizáveis, que possuimos muitos presentes, e que cada presente é único e obedece ao seu interesse neste presente. Se for para ir ao início de tudo, como diz Foucault, que seja para constatar que “o que se encontra no começo histórico das coisas não é a identidade ainda preservada da origem – é a discórdia, entre as coisas, é o disparate”.

Há sim, o fato de se oprimir, culturalmente, as experiências homoafetivas – e de se excluir dos direitos civis os casais homoafetivos. A identidade homoafetiva deve ser utilizada, sendo assim, politicamente, como uma mera estratégia – e não para distinguirmos o verdadeiro do falso homossexual. Dessa forma voltaríamos à velha e opressora metafísica platônica da cópia e do simulacro, onde o simulacro seria o “falso pretendente”, a “falsa cópia”; fadada ao limbo das exceções, onde não se representa nada, onde não se faz parte de nada, e transformaríamos a “homossexualidade” em algo tão opressor quanto a heteronormatividade. Queremos criar uma homonormatividade?

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Por que Maria Clara Spinelli é uma atriz diferente das outras?

reportagem originalmente publicada em 24/03/2010 no site http://virgula.uol.com.br . Todos os direitos reservados.

Por que Maria Clara Spinelli é uma atriz diferente das outras?

24/03/2010 14h30 Paloma Guedes
Maria Clara Spinelli (Reprodução)

Maria Clara Spinelli

Maria Clara Spinelli é doce, delicada, charmosa e extremamente feminina, do tipo que pode ensinar a qualquer uma como ser uma mulher de classe. Maria Clara é transexual. Ela nasceu do sexo masculino, mas sempre se sentiu mulher. Até que se tornou uma.

A atriz, que estudou e participou de grupos de teatro e dança, estreou no cinema em 2009 no longa metragem Quanto Dura o Amor? dirigido por Roberto Moreira (de Contra Todos), onde interpretou Suzana, uma advogada contida e misteriosa que busca a felicidade mas guarda um grande segredo.

Longe de ser clichê, a interpretação de Maria Clara já lhe rendeu no início de 2010 prêmios de melhor atriz no II Festival de Cinema de Paulínia e no Hollywood Brazilian Film, realizado em Los Angeles (EUA), assim como a indicação no VI Prêmio Fiesp/Sesi-SP do Cinema Paulista, que acontecerá no dia 31 de março.

O Virgula a entrevistou para saber mais detalhes sobre sua vida, carreira, dificuldades, preconceitos, aceitação e novos projetos. Confira:

VIRGULA: Quanto dura o Amor é seu primeiro trabalho no cinema. Como você soube da produção do filme? Como foi o processo de seleção até saber que o papel era seu?

MARIA CLARA: Uma amiga me falou sobre o teste. Fiquei desconfiada, sempre sou muito desconfiada. Depois descobri que a produtora era a Coração da Selva (de Contra Todos e Antônia), e me interessei muito.

Enviei meu material para a produtora de elenco; ela gostou e marcou uma entrevista com Roberto Moreira. Depois fui chamada para um teste com o ator Gustavo Machado (de O Amor Segundo B. Schianberg, Nome Próprio). Fiquei com “borboletas no estômago” (risos), porque eu já era fã do trabalho do Gustavo há muito tempo e foi uma emoção muito grande conhecê-lo ali. Fizemos as cenas e posso dizer que graças a ele eu passei. Sempre falo que se Gustavo Machado não fosse o “Gil”, eu provavelmente não seria a “Suzana”. Um mês descobri que o papel era meu.

VIRGULA:  É inevitável perguntar: sei que assim como Suzana você é transexual, e esse é o papel que está “mostrando sua cara” no cinema nacional. Existe uma preocupação da sua parte de não ficar rotulada para papéis desse tipo? O que você acha possível fazer para que isso não aconteça?

MARIA CLARA: Sim, essa é uma preocupação muito grande minha: não me deixar estigmatizar (como atriz) por um rótulo, um pré-conceito. Antes de aceitar esse papel eu pensei muito. Já havia recebido um convite anterior para outro filme e recusei. Eu não estava preparada na época.

Mas quando passei no teste para Quanto Dura o Amor? pensei seriamente no que é fundamental para mim, prioridade. A exposição pública da minha intimidade não me agrada, mas esse é o preço que qualquer artista tem que pagar. E eu percebi que SER ATRIZ para mim é algo muito importante, que faz parte de mim, que eu preciso realizar. Então, decidi pagar o preço disso.

O que acho mais importante e tento fazer nesse sentido (não só para mim, mas para qualquer pessoa pública), é tentar não me expor de uma maneira negativa, com sensacionalismo e preservar o que eu achar que não é necessário ser público sobre a minha vida.

VIRGULA: Você já atuava antes da sua “transição”? Pergunto para saber como funcionava a relação com a interpretação – já ouvi relatos de transexuais que afirmam que se sentiam presos no corpo de outra pessoa, assim como a interpretação é uma profissão onde as pessoas vivem outras vidas. Você acredita que existe alguma relação disso com a sua escolha profissional?

MARIA CLARA: Boa pergunta! Sabe que eu nunca havia pensado sobre isso?! Talvez faça algum sentido…

Sei que sou mulher, desde sempre. Nunca houve um período de “descoberta”. Eu simplesmente nasci, e era mulher. Não tenho culpa, não tive escolha. Mas, conforme fui crescendo, claro que fui percebendo que “tudo” estava errado, e eu não sabia como seria meu futuro, minha vida.

Desde então (não sei se é uma característica de todas as crianças, ou era minha) eu me imaginava, “projetava”, vivendo uma vida plena como “Maria Clara”. Eu nem sei se isso era consciente ou não, mas sempre existiu. E em todas as histórias que eu ouvia, nos filmes que assistia, desde pequena, eu me sentia muito atraída pelas personagens femininas, sempre mulheres fortes, à frente de seu tempo. E sempre me via sendo uma delas. Talvez isso tenha alguma relação com minha necessidade de me expressar representando vidas que nunca tive. Ou não. Não sei. (risos)

Sim, eu já atuava antes da minha “transição”. E já interpretei personagens masculinos. E era muito difícil pra mim, assim como todos os personagens. E eu pensava: “sou uma atriz, eu posso fazer isso!”.

VIRGULA: Você lembra o que passou na sua cabeça quando soube que ganhou o prêmio de melhor atriz em Paulínia, seu primeiro grande prêmio?

MARIA CLARA: Me lembro sim. Foi um espasmo, uma surpresa, carregada de muita emoção! Passou pela minha cabeça que “eu não estava errada”! Não era impossível viver o sonho de ser atriz. Ali, naquele momento, eu estava recebendo o prêmio de melhor atriz pelo meu trabalho no meu primeiro filme! Eu não estava recebendo o “prêmio de melhor transexual”. E isso muda tudo.

VIRGULA: Você é funcionária pública em Assis, cidade onde você nasceu e mora até hoje, certo? Você pretende largar essa profissão para atuar? O que falta para que isso aconteça?

MARIA CLARA: Sim, sou. Assim como toda atriz, sonho em exercer somente o meu ofício como profissão. Mas isso ainda não foi possível.

O que falta para isso acontecer? Maior estabilidade na minha carreira de atriz, eu acho. O que, no Brasil, infelizmente é muito difícil para todo mundo…

VIRGULA: Quais são os seus próximos planos profissionais?

MARIA CLARA: Fui convidada para fazer dublagem em um longa metragem de animação, o que me deixou muito feliz. Pela qualidade e originalidade do projeto (o que infelizmente ainda não é comum no Brasil). E pela personagem, que eu adorei!

Paralelo à isso, por incrível que pareça, tenho mais contatos de pessoas interessadas no meu trabalho nos EUA, do que no Brasil. Fico feliz e triste por isso. Porque também quero trabalhar mais no meu país.


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Re-ensinando gênero e sexualidade

Isso não é sobre “as coisas melhoram quando você envelhece”. Queremos uma juventude segura para a livre sexualidade e expressão de gênero. Queremos ser felizes agora. Queremos viver. Queremos ter o direito de estudar, de habitar, de não sermos postos na rua durante a juventude pelos nossos pais. Queremos a reeducação sobre gênero e sexualidade.

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Entrevista Exclusiva com B. Preciado no Página12

ENTREVISTA EXCLUSIVA

(fonte: http://www.pagina12.com.ar)

Un bien preciado

Dice que la invitaron a venir a la Argentina muchas veces, que nunca llegó a concretarse la visita, pero que esta vez parece que los famosos talleres se harán realidad en Buenos Aires antes de que termine 2011. Mientras tanto, en conversación con SOY Beatriz Preciado, una de las voces fundamentales del postfeminismo, la teoría queer, el activismo trans o, mejor dicho, el pensamiento contemporáneo, vuelve sobre sus pasos académicos e íntimos mientras reconstruye sus ideas sobre las modernas formas de construcción de poder y sobre las nuevas formas de biopolítica del capitalismo actual.

 Por Nancy Garín

Autora imparable, activista política, irónica, directa y didáctica, aunque hable de cuestiones que todavía tienen fuerte resistencia en el sentido común y en el discurso de los medios. Se llama Beatriz Preciado, es española, se formó en Estados Unidos y vive en Francia, pero el lugar de pertenencia tanto como el género son espacios muy difusos y cambiantes en su vida. Verla, escucharla hablar, casi tanto como leer sus libros, ya es de por sí un espectáculo de iluminación. Para quienes no la conocen, con sólo tipear su nombre en Youtube se pueden espiar entrevistas y conferencias a lo largo de los años con sus correspondientes cambios físicos y teóricos. Para quienes no la han leído, aparecen a lo largo de esta nota los tres títulos que la han puesto en la cima del pensamiento queer. Textos densos y teóricos, es cierto, pero que a su vez permiten con amabilidad la llegada de lectorxs no especializados. Esta filósofa, difícil de clasificar porque ella misma se vive desmarcando, a los 20 años andaba rapada por las calles de París esperando que sus preguntas y entusiasmos fueran atendidos nada menos que por el profesor estrella Jacques Derrida, quien finalmente le abrió las puertas, y la cabeza también. Ahora, con sus 41 luce el elegante bigote que las inyecciones de hormonas y su práctica experimental con el propio cuerpo le han legado. A lo largo de esta entrevista se nombrará a sí mismx en masculino, como viene haciéndolo hace un tiempo desde que reniega de las categorías de mujer, lesbiana y transexual para definirse. En esta especie de visita guiada por su derrotero académico que va desde su educación con los jesuitas en Burgos hasta la constitución de esta pareja explosiva que forma con la francesa, ex prostituta y escritora Virgine Despentes. “Yo he tenido un exilio frente a lo femenino, a la sexualidad lesbiana luego y he tenido también un exilio frente a la realidad transexual.”

En el origen, fue el dildo

Primero fue su libro Manifiesto contrasexual, que apareció en 2002 y que ella misma definió en su momento como “un elogio del ano porque es el único órgano sexual universal”. Ese libro era eso y mucho más, un golpe duro y tan potente como un dildo contra la mirada que entiende como normal a todo lo que provenga de la división en dos sexos y el modelo heterosexual. Ese Manifiesto, que la lanzó a la fama y a lo más alto de la academia, era una crítica ácida, una deconstrucción, por usar palabras de su maestro Derrida, de la naturalización de sexo y del sistema género con el objetivo de “construir una sociedad de equivalencia”, de “sujetos parlantes” que establecerán relaciones sexuales de forma contractual. Ella propone allí la formulación de un contrato sexual llevando el sexo a ese terreno de los intercambios previos y formales. Y propone, como consecuencia, considerar como una violación todas aquellas prácticas sexuales que se lleven a cabo sin la firma de dicho contrato. Este gesto deja a un lado a la tan sobrevalorada espontaneidad o naturalidad (¿animalidad?) por un contrato racional. Preciado, además de correr el sexo de los lugares que solía frecuentar, en aquel libro defiende una sexualización de la totalidad del cuerpo, mientras elabora una teoría y práctica de las tecnologías del sexo donde la figura del dildo o prótesis productora del placer no sólo ocupa un rol protagónico sino que es desmitificado ya que, como ella misma expresa, este objeto de plástico “no imita el pene sino que lo sustituye y lo supera en su excelencia sexual”.

Nacida en Burgos en 1970, estudió filosofía y bioética junto a los jesuitas en Madrid, para continuar su recorrido de la mano de grandes pensadores como Derrida, Agnes Heller, en la Universidad New School for Social Research de Nueva York. Realizó estudios sobre Teoría de la Arquitectura en la Universidad de Princeton, de donde saldrán las primeras líneas de Pornotopía, su última publicación premiada por la editorial Anagrama en la línea de ensayo. Desde mediados de los ‘90 vive en París, da clases en el departamento de “Técnicas del cuerpo” de París VIII, donde trabaja sobre teoría del género e historia de la performance.

Es famosa ya su dupla y su pareja con la también activista y escritora francesa Virginie Despentes, quien este año ha sido premiada por la crítica por su libro Apocalypse bébé, con quien comparte no sólo su cotidianidad, sino su pasión por la escritura y múltiples proyectos entre la pedagogía, el cine o simplemente vivir.

–Burgos, al norte de España, no parece ser el mejor lugar para un despegue queer. ¿Qué estudiaste y dónde? ¿Cómo fueron tus comienzos?

–Durante mucho tiempo fui como un receptor pasivo del sistema educativo. De varios sistemas educativos distintos, empezando por el sistema educativo español. Porque en los años ‘70 en España y en una ciudad como Burgos mi educación no pudo ser otra cosa que conservadora en todos los sentidos. Luego me fui a estudiar filosofía con los jesuitas, que me pudieron parecer conservadores pero en verdad no lo eran. La escuela de filosofía de la universidad central era más conservadora que los jesuitas, que estaban en plena revolución de la Teología de la Liberación liderada en Barcelona por el teólogo Jon Sobrino, de quien hoy sus trabajos sobre cristología, eclesiología y espiritualidad de la liberación no tienen permiso para ser enseñados en escuelas católicas. En fin, que los primeros momentos de intensidad política a esa edad yo los viví con los jesuitas. Claro, no se estaba leyendo filosofía postestructurada ni Foucault, ni nada de eso pero ya estábamos viendo a Spinoza y Marx.

–Y la relación entre filosofía y acción que recorre toda tu vida y obra, ¿es un legado del feminismo?

–Para mí la filosofía nunca fue sólo una práctica teórica, sino una práctica social y no es algo que aprendí con el feminismo. El feminismo de Madrid en esa época era un feminismo ilustrado, blanco, heterosexual, mucho más conservador que el de hoy en día. Me resultó imposible acercarme a trabajar allí como lesbiana, cuestión con la que ya me identificaba desde niña.

–¿Por que te fuiste de España?

–Me di cuenta de que no podía seguir en una situación de cortocircuito total y lo único que pensé es “debo salir de aquí”. Desde súper pequeña nunca me he podido identificar con un lugar o país. Mi relación con el afuera siempre ha tenido que ver con la posibilidad de encontrar otro mundo. Así que pedí una beca Fulbright y me fui a EE.UU.

–¿Cómo fue ese encuentro con la sociedad estadounidense en plena década de los ‘90, con pensadores como Agnes Heller y personajes del ámbito de la militancia como Jackie Alexander?

–Llegar a los EE.UU. fue como empezar de cero. Allí me encuentro en plena situación de proliferación de los estudios queer y una expansión de los discursos extraordinaria. Llegué en un momento en que los cambios era constantes: un día te apuntabas al Women’s Study, al otro día el Women’s Study era Gay Study y al día siguiente se llamaba Queer Study, tres días después el cartel decía: Postcolonialista. Me refiero a esos años justo posteriores a las políticas de sida y de la crítica a las “políticas de identidad”. Entonces todos los grupos políticos en Nueva York estaban muy expuestos. Es un momento casi de duelo de la política.

Yo en principio me fui al departamento de Filosofía. Allí fue donde conocí a Derrida y a Agnes Heller.

–Además del estudio me imagino que aquello sería un hervidero de experiencias.

–Bueno, de entrada voy a la Calle 13 donde está el centro gay y lesbiano de Nueva York. Entonces yo era gay y lesbiano. Voy allí a tomarme todos los seminarios con Derrida, Agnes Heller y conferencias de Judith Butler, en persona. Porque, claro, la figura allí realmente importante era Butler. Para mí es una persona fantástica. Una bruja blanca del feminismo negro. De alguna manera es en sus clases y conferencias que me di cuenta de que lo que yo haría tenía un nombre muy claro: Filosofía Política Feminista Postcolonial. Me meto en un taller de Sadomasoquismo lesbiano, donde me encuentro con mis colegas alemanas. Durante el día nos juntamos y leemos y discutimos “Hegel en el Africa” y por las noches voy a talleres de Sadomasoquismo.

Allí me dedico, por primera vez, a medir el tamaño de los látigos, comenzando realmente a compartir y a convertirme en un conocedor de las técnicas y de toda una serie de prácticas. Para mí, que era relativamente joven en ese momento, todo eso lo debía hacer con una devoción absoluta.

Vivía en un delirio constante. Por un lado leyendo a Derrida, por otro con la teoría queer y por otro los talleres Drag King que seguía sin siquiera darme cuenta de que la cultura drag king estaba emergiendo. Súmale tremendas broncas entre las feministas radicales por lo que nosotros estábamos viendo en los talleres.

–¿Cómo se gesta tu primer libro, Manifiesto contrasexual y cómo hace su ingreso allí la figura tan protagónica del dildo?

–Empecé a trabajar muy joven, di mis primeras clases a los 19 años en la escuela de medicina en la cátedra de Bioética con cuestiones que para mí aún no estaban muy elaboradas, porque aún estaba en un marco relativamente cristiano. En ese momento comencé a trabajar sobre el transplante de órganos y a escribir sobre el transplante de seno. De allí saldrá lo que más adelante será el Manifiesto contrasexual. Allí divagaba sobre la posibilidad de trasplante de órganos sexuales y la producción de hormonas sexuales que no existen. Un delirio que no tiene nada que ver con lo que se estaba viendo en la facultad en ese momento.

–Manifiesto parece tener el sello Derrida en lo referido a la deconstrucción de las prácticas sexuales.

–En realidad es un texto que escribí para Derrida. Trabajando con él sobre San Agustín y sobre lo que, hablando con él, podría describirse como un problema de transexualidad en San Agustín, su conversión como transexualidad. Derrida en ese momento en los EE.UU. era una especie de estrella de rock. Yo estaba con mi cabeza rapada y mi maletín esperando día a día delante de su puerta para ir y decirle… por favor señor… blabla. Hasta que efectivamente un día me dice: “Bueno, qué quieres”. Estando en Francia, aparece la posibilidad de hacer un curso de Teoría de la Arquitectura. Derrida, que es un loco, me llevó a esto.

–¿Qué tiene que ver la sexualidad con la arquitectura?

–Yo estaba estudiando sobre la corporalidad y más específicamente la historia de las tecnologías, pensar el cuerpo, el género como tecnología. Derrida me envía a Princeton al departamento de Teoría de la Arquitectura, no por la arquitectura en sí misma sino para pensar más allá de la construcción. Este paso que parece muy loco es fundamental en mi trayectoria. Pensemos que todo el discurso feminista estaba montado en torno de toda esa especie de cántico de “la construcción social y cultural de la diferencia sexual”. Cuando llego al departamento de arquitectura, los arquitectos cada vez que hablo de género como construcción sociocultural, me preguntan a qué tipo de construcción me refiero. Lo que es lógico, pues es propio del lenguaje de la arquitectura, ¿no? A partir de eso me pongo a pensar que quizás es posible que me tenga que dedicar a hacer una historia más específica de las técnicas de construcción de género. Cuál es la relación más clara entre arquitectura y sexualidad como un conjunto de técnicas de construcción. Por eso me dediqué a prestar atención a las prótesis sexuales, específicamente los dildos. Me interesan porque de alguna manera son como órganos indefinibles, en términos de Derrida. No son propiamente órganos, pero tampoco son objetos. Tomo técnicas muy precisas de los historiadores de la arquitectura para hacer la historia del dildo como parte de la historia de las tecnologías de la sexualidad.

¿Cómo reaccionaron tus compañeras feministas?

En la historia del feminismo la aparición de los dildos constituyó toda una polémica, siempre fueron vistos como la “redención del sexo masculino” que al final oprime, etc., etc. Y la verdad es que no era así en las prácticas que yo había tenido en mi vida.

No son iguales las versiones del mismo libro en cada idioma al que fue traducido.

El Manifiesto es un texto multilingüe y que no es igual, no es el mismo en cada versión. Aquí se agrega un elemento más para mí que es constitutivo: pensar también esa sexualidad en relación con el exilio. El no territorio o la multiplicidad de territorios posibles, o la traducción como modo específico de comunicación y el exilio como posibilidad sexual.

Tu último libro, Pornotopía, también toma elementos de la arquitectura pero esta vez asociadas con las publicaciones pornográficas.

Sí, ese libro nace de analizar la revista Playboy dentro del marco de las tecnologías del sexo, ya que la pornografía es una tecnología visual. Ahi me doy cuenta de que las revistas publicadas entre 1954 y 1965 reproducen siempre el mismo plano arquitectónico, están dedicadas a la producción de este nuevo espacio de soltero, un ámbito diseñado para el placer masculino.

***

Beatriz Preciado consigue eludir toda clasificación desde la ropa que usa hasta el modo en que habla y la sensualidad que emana. Parece de vuelta de todo y a la vez siempre buscando. Cada vez que se le pregunta por aquella experiencia con la testosterona, que sigue consumiendo en pequeñas dosis, responde sin molestarse por la insistencia que reaparece en cada entrevista: “No, no lo hice para convertirme en hombre. Aquella intoxicación voluntaria sin protocolo médico yo estaba significando que mi género no pertenece ni a mi familia, ni al Estado ni a la industria farmacéutica. Fue una experiencia política.”

Si tuvieras que elegir, ¿qué destacarías como memorable de esos días de consumo de hormonas, de experimentación mutante? Dicho de otro modo, ¿qué sentías?

Es una droga que me vuelve lúcido, enérgico y despierto. Lo puedo comparar con lo que sentí la primera noche que hice el amor con una chica. ¿Por qué será que esos aspectos son considerados atributos masculinos?

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Trailer do filme Elvis & Madona

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Eu não sou o meu gênero

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New Queer Cinema

Nascido no território do cinema independente dos Estados Unidos a  partir dos anos de 1990, o New Queer Cinema representa um cenário que investe em uma prática discursiva positiva sobre o homoerotismo, em uma época que o público  GLBT– gays, lésbicas, bissexuais e travestis, transexuais, transgêneros – estava sendo alvo de uma guerrilha moral devido a crescente expansão da Aids em todo mundo. O termo New Queer Cinema foi assim determinado pela crítica de cinema e feminista norte-america B. Ruby Rich, em um artigo publicado em 1992 na revista britânica Sight
& Sound, onde a mesma buscava conceituar a efervescente produção cinematográfica com temáticas gays bastante difundidas nos circuitos e festivais de cinema independentes ou nos festivais de cinema exclusivamente GLBT2.

Alguns dos filmes que marcaram presença nesta nova configuração foram Young Soul Rebels (1991, Isaac Julien), Veneno (1990, Todd Haynes), Eduardo II (1992,Derek Jarman) e Swoon – Colapso do Desejo (1992,Tom Kalin).

Esta geração de cineastas se destacou pela construção de filmes com abordagens menos sensacionalista sobre a produção da diferença dos corpos, gêneros, sexualidades e, mais interessada na complexificação das subjetividades ambíguas e transgressivas. O New Queer Cinema passou então a ser esta janela que dá visibilidade a encruzilhada de múltiplos componentes de subjetividades que são agenciadas tanto pelos modelos fixos de sexualidade, com seus processos de normatização e vigilância, como também pelo desejo do devir, das escolhas pessoais do próprio corpo e da autoreferência de gênero. Entre as vozes dissonantes estão os cineastas abertamente gays que se destacam neste contexto como: o americano Gus Van Sant, diretor de filmes emblemáticos a exemplos de Mala Noche (1985), Garotos de Programa (1991) ao mais recente Milk- A voz da Igualdade (2008); o britânico Derek Jarman, com
produções marcantes como Eduardo II (1992), Caravaggio (1986), além de Todd Haynes, com uma cinematografia de peso marcada pelo filmes Veneno (1990), Velvet Goldmine (1998) , Não Estou Aí (2008) e o aclamado Tão Longe do Paraíso (2002).

Fonte: http://itaporanga.net/genero/gt6/13.pdf

Para saber mais sobre o New Quer Cinema e para ter acesso à filmografia, clique na imagem abaixo:

Clique na imagem para saber mais sobre o New Queer Cinema

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Abrazos de cardenal, por Laura Castellanos

A revista Gatopardo, uma revista de jornalismo narrativo que tem sua sede na Cidade do México – foi fundada e antes era na Colômboa – publicou uma reportagem sobre um seminário que pretende “curar” homossexuais. Está em espanhol, mas vale à pena ler.

Todos os direitos reservados: Gatopardo.

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Abrazos de cardenal
Una periodista se infiltra en un seminario para curar la homosexualidad como punto de partida para explorar la homofobia en Jalisco.
Por Laura Castellanos / Fotos del cardenal de Phoebe Ling

DÍA UNO. Esa tarde de viernes, el retiro de tres días, “Camino a la castidad, encontrando el propósito de Dios para nuestras vidas”, estaba por comenzar en un salón del terreno amplio y arbolado, aislado por una barda, del seminario de los Misioneros de Guadalupe, a las afueras de Guadalajara. Yo, hedonista desprejuiciada, me infiltré en el taller de

ara Sandoval Íñiguez la homosexualidad siempre ha existido, el problema es que ahora se impone como deseable.

“reorientación” y abstinencia sexual para homosexuales y lesbianas bajo la impostura de ser una lesbiana católica y culposa de la capital. Logré el registro al pasar el filtro cibernético e ingeniármelas para evadir la entrevista personal. No fue fácil, a pesar de que las críticas contra Courage —la asociación católica organizadora, establecida en México hace cinco años con el aval del Vaticano—, relajaron sus métodos extremos de selección. Por ejemplo, a diferencia de un taller impartido en 2008, esta vez no hubo cuestionario de admisión sobre prácticas tan extravagantes como levitación o “bestialismo”. Tampoco incautaron celulares, y la gente local durmió en sus casas. Pero a los foráneos no nos dieron llave de las habitaciones. Cualquiera podía hurgar nuestras pertenencias. Yo no llevaba laptop ni grabadora. Sólo un inocente cuaderno escolar del que no me separé. La habitación era cómoda y limpia, y en el baño nos dejaron un jaboncito Rosa Venus, el clásico de los hoteles de paso.

Ya instalada en la habitación, salí al jardín a echar un vistazo. Al primero que vi fue a un joven blanco y delgado, vestido con ropa informal de marca, que deambulaba, pesaroso, con la maleta al hombro. ¿Qué le pasaba? Me senté próxima a él en el amplio salón donde iba a tener lugar la conferencia. Llegaron más de doscientas personas, buena parte integrantes de los catorce capítulos de Courage Latino. El retiro arrancaba en plena pugna entre colectivos gays y Courage. Se trataba del episodio más reciente de la confortación entre el movimiento de diversidad sexual y el ala católica más conservadora del país, detonado en 2009 por la aprobación legal de los matrimonios gays y su derecho a adoptar infantes en la ciudad de México.

Poco más de la mitad del auditorio era gente adulta, madres y padres de diversos estratos sociales, la mayoría integrantes de la división Encourage de “acompañamiento” familiar. El resto, sus hijos veinteañeros, casi la totalidad varones. Otros jóvenes, como el de la maleta, iban solos. Al taller asistían los pilares estadounidenses: el presbítero Paul Check, director de Courage Internacional, y Richard Cohen, director de International Healing Foundation (IHF), autor del libro Comprender y sanar la homosexualidad. (Circula en internet información sobre su presunta expulsión de la American Counseling Association, la red de terapeutas y consejeros en salud, educación y derechos sexuales más grande y respetada en Estados Unidos.) La filosofía de Courage es contradictoria: para algunos, como Cohen, el homosexual es un heterosexual dañado, pero rescatable. Para otros, como Miguel Cisneros, coordinador de Courage Latino, la homosexualidad es una “condición natural y no cambiable”, vivida con dolor, por lo que la abstinencia sexual es la única vía de redención ante Dios.

Luego de la bienvenida, Check dio un mensaje espiritual a la audiencia. El ambiente era tirante. El muchacho manipulaba su celular, se miraba las uñas. Al terminar el presbítero nos avisaron de un cambio en el programa: la charla de Cohen del día siguiente, “Entendiendo el significado de las fantasías sexuales y la masturbación”, se daría esa tarde. Cohen apareció en escena con su nariz de escuadra y su sonrisa desbordada. El hombre blanco, de estatura media y lentes, vestía traje oscuro y suéter claro. Lo tradujo su representante en Latinoamérica, Desirée Carlson. Cohen se movía con soltura sin dejar de pelar los dientes. Así explicó a la audiencia que de niño sufrió un abuso sexual, razón por la que se hizo homosexual. Corrijo: utilizó las siglas “AMS”, que significan atracción al mismo sexo. Es una especie de código interno que no provoca sobresaltos. “¡Dios mío, quítame estos deseos!”, él oraba. Nos contó que derramó muchas lágrimas. Pero no cejó en su fe y, tras veinticinco años de lucha, vino el milagro: “¡Salí heterosexual!”. Cohen alzó una mano en señal de triunfo, la dirigió a la pantallota del escenario. Apareció una foto suya con una mujer y tres adolescentes. “¡Ésta es mi familia!”, elevó la voz. Una parte del auditorio aplaudió emocionada. ¿El muchacho? No. Cruzó una pierna, movió el pie al aire.

Cohen explicó que los niños con AMS pudieron padecer “mamitis”, violaciones sexuales, ausencia paterna, padres alcohólicos y agresivos. Las niñas fueron traumatizadas sexual o emocionalmente por hombres. Luego ejemplificó por qué la AMS era antinatural. Alzó ambas manos; con los dedos de una hizo un círculo, e introdujo el índice de la otra. Metió y sacó el dedo. “¡Esto y esto embonan perfectamente!”, expresó hilarante. Su argolla matrimonial destelló. Risas. El joven dejó su maleta en una silla. Regresó con un café.

Cohen bajó del escenario. Condenó la masturbación y las fantasías sexuales por ser evasiones emocionales adictivas, realidad que “Satán no quiere que sepamos”. Para eliminarlas nos recomendó ejercicio, respiraciones profundas, orar por si estábamos poseídos por algún espíritu del mal, y en caso de urgencia por manosearnos, llamar por teléfono a algún familiar o amistad heterosexual para que lo impidiera. Pese a todo, él nos tenía una buena nueva: “Vengo aquí a darte un mensaje de Dios: ¡estás bendecido!”. La AMS no era, pues, una maldición sino una bendición, el motivo para sanar al niño interior y a nuestras familias disfuncionales. “¡El cambio es posible!”, finalizó eufórico. Gritos festivos. Madres y padres de pie. Aplausos. El joven salió disparado del salón. La jornada culminó con una hora de cánticos y rezos.

Que el retiro tuviera lugar en Guadalajara, Jalisco, no fue casual. Es donde Courage tiene su capítulo más visible. Uno de sus integrantes, Rubén García, es autor del libro Un homosexual alcanzado por la misericordia de Dios, publicado por la Arquidiócesis de Guadalajara, “la que más dinero produce al Vaticano”, según me dijo por teléfono la historiadora Renée de la Torre, autora de La ecclesia nostra. Jalisco posee por meritocracia la corona nacional de la doble moral. Es, a los ojos populares, sede de la hombría más estereotipada, la de machos bragados y bigotones, y al mismo tiempo, el estado más gay del país. “En Jalisco, el que no es futbolista, es mariachi o es puto”, dice un viejo chiste machista. De la Torre me contó otro que retrata la contradicción: “Jalisco es el estado de los machos jotos y de los mochos mochos”. Si bien la sociedad católica jalisciense es vista como “mocha”, su capital, Guadalajara, la segunda ciudad más grande del país, es considerada la capital gay de México. Gaydalajara, le dicen a la urbe famosa por la diversidad de sus antros de ambiente. Aquí presumen poseer el antro/cabaret gay más grande y de más trayectoria en Latinoamérica: Mónicas, con tres décadas de vida y aforo para más de tres mil personas.

Dice De la Torre que en el mapa histórico nacional es conocida la férrea oposición de Jalisco a los nuevos aires. “En el estado se zanjó la Independencia, la Revolución no pasó por aquí, y se luchó contra la laicidad de las Leyes de Reforma”. Pero Jalisco es ante todo un estado de “grandes contrastes” entre movimientos radicales de derecha y de izquierda. Así como fue cuna de la insurrección cristera del país, reprimida hace más de siete décadas por oponerse al Estado laico, también fue la principal plaza guerrillera al inicio de los años setenta. No es de extrañar, entonces, que su activismo gay, aunque pequeño, sea muy combativo. En 2009, por ejemplo, Miguel Galán, postulado por el Partido Social Demócrata (PSD) a la alcaldía de Guadalajara, se convirtió en el primer candidato a alcalde abiertamente homosexual en México.

La legalización de las bodas gays en la capital provocó que la derecha de Jalisco saliera a combatir en el terreno nacional. Mientras el alcalde de la ciudad de México, Marcelo Ebrard, aplaudía la aprobación de los matrimonios entre personas del mismo sexo, el gobernador jalisciense, Emilio González Márquez, interpuso un juicio ante la Suprema Corte de Justicia de la Nación para no reconocerlas en su entidad, juicio que por cierto perdió. La guerra subió de nivel. El cardenal Sandoval Íñiguez, famoso por sus exabruptos, acusó a Ebrard de “maicear” a los ministros. Ebrard lo demandó por daño moral y reveló su mote: el Cavernal. El gobernador respondió desde su trinchera, en un acto público, que a él las relaciones gays le daban “asquito”. Todo esto sucedió mientras activistas homosexuales hacían protestas contra el gobernador y el cardenal, e interponían demandas en instancias de derechos humanos.

DÍA DOS. En la mañana, cuando el presbítero Check explicaba que San José era el santo de la castidad, pues María concibió a Jesús por gracia del Espíritu Santo, me senté en las filas traseras del salón. Un joven a mi lado jugaba con su celular. Otro leía una revista. Ubiqué al muchacho de la maleta. No la llevaba. Estaba con dos chicos con los que lo vi charlar en la cena. El muchacho se incorporó con una cajetilla de cigarros en la mano y salió al jardín. Lo seguí rápidamente y le pedí uno. Me lo dio afable. Nos sentamos en una bardita a charlar. De lejos, un integrante de Courage nos vigilaba.

—Te vi muy abrumado ayer— fui al grano.

Se sinceró. Su madre le pidió que viniera y aceptó por complacerla con la advertencia: “Yo no voy a cambiar mi orientación sexual, la tengo muy clara”. Era tapatío y estaba furioso contra la Iglesia católica. La tachó de “primitiva” por discriminarlos y auguró su próxima desaparición. Le pregunté su opinión sobre los católicos locales fieles al cardenal Juan Sandoval Íñiguez, quien al frente de la Arquidiócesis de Guadalajara, una de las comunidades católicas más conservadoras y grandes del mundo, encabeza la cruzada nacional contra los matrimonios gays. “¡Son muy pendejos por creer lo que dice ese pendejo!”, inhaló. “Ultimadamente, ¡cada quién su culo!”, exhaló.

Salieron de la conferencia los otros dos chicos y se nos unieron. Eran queretanos. Los tres se conocieron en la cena. Tenían en común ser de familias adineradas, que sus madres estaban en Encourage y los enviaron y que asumían su homosexualidad sin conflictos. Uno de ellos, el menor, era flaquito y callado. Su papá también asistía al taller. El otro: alto, ceja poblada, desenfadado.

La conferencia terminó y todo mundo salió del salón. Pasó un joven frente a nosotros y el queretano cejudo bajó la voz.

—¡Miren, miren! ¿A poco no está guapo ese jotito? Mi mamá me mandó a quitarme lo gay y voy a salir con novio —checó su Blackberry—. ¿Se dan cuenta de la tensión que hay entre los padres de familia? —se refería a dos mamás que sollozantes preguntaron sobre casos de hijos indómitos.

—Sí, no mamen —respondió el tapatío—. Hay que ponerles Valium en el café.

El psicoterapeuta Cohen no apareció ese día. Fue el momento de Courage. Un homosexual y una lesbiana treintañeros expusieron sus experiencias AMS. Su vida estaba vacía, atormentada por la culpa. Los dos encontraron la paz en Courage. La mujer presumió sus dos años de castidad. “Dos años sin sexo y se me pudre”, expresó el tapatío en el descanso. En la última conferencia del día, un psicoterapeuta de “reorientación sexual” señaló a madres y padres como los principales responsables del padecimiento ams de sus descendientes. Por tal razón, la terapia del paciente también debía incluirlos. Una madre preguntó con desazón en cuánto tiempo se quitaba la AMS. El hombre de tez cetrina le respondió que no había plazo, incluso certeza de lograrlo, pero no había otra alternativa.

El día cerró con más cánticos y rezos. El queretano tímido durmió en el seminario bajo el resguardo paterno. El tapatío se fue a dormir a su casa porque el cuarto le daba urticaria. El queretano cejudo se fue al Black Cherry, el antro gay más exclusivo de Guadalajara. Regresó al día siguiente.

Cuando se hizo el taller de Courage, ni el gobierno del estado ni la Iglesia querían hablar del tema, menos de las bodas gays. Busqué entrevista con el cardenal, con el gobernador, fue infructuoso. Incluso el gobernador Emilio González Márquez hizo cambios en su oficina de comunicación por las notas que aparecieron en su contra. El logo de la Secretaría General de Gobierno había aparecido en el cartel de “Camino a la castidad”. El centro se tapió con ellos. La identificación oficial, del tamaño de una tablilla de goma de mascar, compartió crédito con Courage y la IHF de Cohen. El hecho provocó que el Congreso local denunciara al secretario de Gobierno, Fernando Guzmán, por peculado en pro de un evento religioso.

Con mucho trabajo charlé brevemente con Fernando Guzmán, en sus oficinas. “Se hizo un gran chisme”, desdeñó el hombre alto y pulcro. Negó financiar el evento. Según él, todo se debió a un apoyo individual de un funcionario terapeuta consultado por Courage. Se quejó de las críticas: “También quienes consideran que no es lo adecuado, lo natural, estar en la homosexualidad, deben ser respetados, la tolerancia opera de ida y vuelta”. Y para terminar, el aspirante a gobernador descartó a los matrimonios gays en su estado: “En Jalisco hay gran aceptación de la familia tradicional, y veo realmente fuera de posibilidad que prospere una iniciativa de esta naturaleza”.

Él hablaba con conocimiento de causa. El Congreso local tiene treinta y ocho curules y sólo dos son de diputados de izquierda: Olga Gómez Flores y Raúl Vargas, del Partido de la Revolución Democrática (PRD). La diputada no trabaja en una iniciativa de matrimonios gay, sino en dar certeza jurídica, sobre bienes y prestaciones, a las relaciones conyugales del mismo sexo. Se llama Ley de Uniones Storge, por la palabra griega que significa amor filial. La cabildeó con activistas, expertos jurídicos y con el mismo cardenal Sandoval Íñiguez. “No reconocer que él es un poder fáctico es estúpido de mi parte”, dijo la legisladora. El cardenal la recibió con reservas, pues llama “hijos de las tinieblas” a los militantes del PRD por promover la interrupción del embarazo y las uniones gays. El asunto quedó en “veremos”.

DÍA TRES. En el desayuno dominical busqué a los dos chicos fugados. Sólo estaba el queretano con su papá. Compartí la mesa con una señora robusta y amable, vendedora de accesorios de cocina y procedente de un poblado a dos horas de camino. Me contó que fue “bendecida con dos hijos con AMS”, por lo que su misión era hacerlos heterosexuales. Tal era su entrega, que estudiaba preparatoria y seguiría con la carrera de Psicología para así dedicarse por entero a su conversión. También daría consultas a otros jóvenes con AMS que no pueden pagar 500 pesos por sesión especializada. “Yo les cobraría 50 pesos”, barato. Ella sabía que su reto no era fácil, pues “Richard Cohen se tardó veinticinco años en lograrlo”. Pero no le importaba: “Yo no pierdo la esperanza; dice Richard que la AMS se quita con abrazos”. Quedé confundida. Comprendí más tarde, cuando Cohen regresó a escena.

El tapatío y el queretano cejudo retornaron, muy orondos, alrededor de las once de la mañana, justo para la actividad culminante del taller impartida por Cohen: Sanando nuestros corazones. Se colocaron las sillas en círculo. Cohen, puras sonrisas, explicó que para sanar al niño interior anotáramos afirmaciones positivas como “soy inteligente, soy hermosa”, y las repitiéramos a diario. Enfatizó que madres y padres debían sanar el vínculo con sus hijos con AMS por medio de abrazos prolongados. La gente con AMS, tras el taller, tenía prohibido abrazar a otros con AMS. Nos mostró con su asistente el abrazo efectivo: cachete con cachete, pecho con pecho, cadera con cadera, pies encontrados, ojos cerrados, concentración, apriete, durante varios minutos. Algo sabroso, dependiendo de a quién se abrace, claro. Pero éste era todo un reto carnal. Nos prescribió quince abrazos al día, sin pensar cochinadas ni tener reacciones fisiológicas. Cohen nos levantó a todos para hacer el ejercicio.

El taller finalizó entre abrazos espontáneos y familiares con rostros radiantes. Algunos jóvenes lucían contentos. Otros, muy compungidos. La misa de clausura comenzó. Salí al jardín. El trío charlaba con otros jóvenes. Uno alto dijo que intentaría la terapia de conversión sexual para tener un hijo propio. “Tu papá está muy emocionado por eso, ¿verdad?”, comentó un amigo suyo. El chico asintió sin entusiasmo. El tapatío me echó una mirada cómplice. Un día antes me compartió sus planes de ser padre, pero mediante inseminación artificial. Al despedirme, pregunté al trío sus conclusiones del taller. Ninguno dejaría de ser homosexual, por el contrario, lo refrendaban con más fuerza. Les gustó abrazar, pero Cohen les pareció siniestro. “Tiene sonrisa de Botox, es pura mercadotecnia”, dijo el tapatío. “Éste es un pinche negocio”.

La organización gay más aguerrida de Jalisco se llama Cohesión de Sustentabilidades para la Diversidad (Codise). La lideran Rodrigo Rincón y Jaime Cobián, de engañosa apariencia inofensiva. Ellos son esposos y pertenecen al primer grupo de parejas gays que se casó en la ciudad de México en marzo de 2010. Codise es la única en Jalisco que combate de forma frontal la homofobia del gobernador, del cardenal Sandoval Íñiguez, de Courage. Ambos fueron candidatos a puestos de elección popular y manifestaron públicamente su homosexualidad. Organizan mítines, interponen demandas en instancias civiles y gubernamentales, dan conferencias de prensa y realizan trabajo de prevención del vih/sida en condiciones económicas precarias. Rincón le espetó al gobernador que su comentario del “asquito” podría deberse a un homosexualismo reprimido. El colectivo colocó a Courage en la mira nacional, y a Sandoval Íñiguez le interpuso una queja ante la Secretaría de Gobernación por no respetar al Estado laico. En gesto provocador, Cobián además personifica al cardenal en protestas. Los entrevisté en la oficina de Codise, en el centro de la ciudad, la misma que sufrió tres asaltos en el último año y medio. El más reciente aconteció veinte días antes de la entrevista. No se llevaron equipos, sino información contable y de su programa callejero de reparto de condones y de pruebas rápidas de detección de sida.

Cobián ronda los cincuenta años. Nos sentamos a hablar de la historia de la homofobia en Jalisco. Me contó que en 1867 el diputado Jesús Hermosillo, de Lagos de Moreno, encerraba a hombres afeminados en la cárcel. Dijo que esta práctica se extendió hasta los años sesenta y setenta. Los precursores del movimiento gay tapatío surgieron a fines de los setenta, con Pedro Preciado, Guadalupe López y Jorge Moreno al frente. En los setenta, Panchos Bar era el único antro gay en Guadalajara, por lo que las fiestas de ambiente se hacían en casas particulares con muchos riesgos violencia. “En los setenta y ochenta muchos chavos fueros asesinados en esas fiestas”.

En 1980, Mónicas abrió sus puertas. Fui al lugar una noche de concurso de disfraces. A propósito, un integrante de Codise participó vestido del cardenal. No ganó el premio, sólo una buena rechifla. Ahí me contaron cómo las patrullas de policía esperaban en las esquinas para llevarse a los clientes, de carros que se impactaban contra el portón, de sujetos violentos que amenazaban a los parroquianos. A mediados de los ochenta, con la irrupción del sida, el acoso empeoró. “Hubo una represión de la fregada”, dijo Cobián. Andar con condones era falta administrativa. Se prohibieron los espectaculares que los anunciaran. También hubo redadas en los bares: “A todos nos trepaban en las patrullas, nos metían al bote a culatazos, nos extorsionaban”. En ese escenario nacieron los primeros colectivos: Grupo Orgullo Homosexual de Liberación y el Comité Humanitario de Esfuerzos Compartidos en Lucha contra el Sida (Checos).

Al arrancar los noventa, los colectivos gays quisieron organizar un congreso en Guadalajara de la International Lesbico Gay Association, órgano consultor de la ONU. Pero la ultraderecha presionó al gobierno y realizó una campaña con pintas en la ciudad que decían: “Haz patria, mata a un puto” y “Guadalajara no será sidosa”. Se canceló el encuentro. Pero por instrucciones del presidente Carlos Salinas e intermediación del entonces procurador Jorge Carpizo, el encuentro se movió a Acapulco. En 1991, bombas manipuladas por reloj se detonaron en la discoteca de la casa donde compartían oficinas el colectivo gay pionero del estado, Grupo Orgullo Homosexual de Liberación y el Centro de Apoyo a la Comunidad Gay. Tal violencia provocó que el desfile del Orgullo Gay no se realizara el resto de la década de los noventa. Volvieron a salir a las calles a partir del año 2000.

A finales de los noventa emergió una tercera generación de activistas, más universitaria, que cuestionó que la diversidad sexual sólo fuera la lucha contra el sida. A esa generación pertenece Rincón. Él entendió que el asunto no era sólo mediante el activismo civil sino de propuestas legislativas y políticas públicas. Para entonces, la izquierda electoral ganó presencia nacional y recogió las demandas de los grupos más vulnerables. Sin embargo, Cobián ubica que hasta la última década los derechos de la comunidad Lésbico Gay Transexual y Bisexual (LGTB) se incluyeron en los programas de los partidos políticos como Alternativa Social Demócrata y México Posible. Cobián y Rincón se lanzaron sin fortuna como candidatos a diputados y regidores por los dos últimos partidos, ya desaparecidos. Ahora hay en Jalisco cerca de una decena de organizaciones gays y la mayoría realiza programas de prevención contra el sida.

Codise llevó a cabo varias conferencias de prensa para denunciar los métodos de Courage. Dos años antes, uno de sus integrantes, Édgar Rosales, entonces miembro del Centro de la Diversidad y los Derechos Sexuales, se infiltró en un taller de Courage realizado en León, Guanajuato. Dio su testimonio a la prensa, y ahora lo repitió de nuevo. Narró el proceso de selección de Courage con el famoso cuestionario de admisión sobre prácticas extrañas, como pactos de sangre o satanismo, también su traslado de forma clandestina a las instalaciones del taller y el aislamiento sufrido. Una de las sesiones que más lo impactaron fue la de escribir sus pecados en papelitos amarillos que clavaron en un crucifijo de gran tamaño. Entre cantos y rezos, los “terapeutas” detonaron la culpa y el llanto. “Fue cruel”, dijo el veinteañero de barba y anteojos.

Codise intercambió sus impresiones de Courage con el reverendo David Kelke del colectivo la Comunidad de los Martínez, que entre otras cosas apoya a enfermos de sida de bajos recursos. Ambos coinciden en que el fin de Courage no es espiritual sino político. Kelke, frente a una taza de café, me dijo que la estrategia de Courage es agrupar gays conservadores que en apariencia renuncian a su ejercicio sexual para boicotear políticas públicas y legislaciones a favor de la comunidad LGTB. “El Partido Republicano en Estados Unidos tiene un grupo de ex gays con ese fin”. Rincón comparte su apreciación y piensa que el cardenal es clave para impulsar a Courage en Jalisco. El treintañero con chispa así lo definió: “Es un hombre muy poderoso”. Días antes del retiro, Sandoval Íñiguez expresó a La Jornada sobre Courage: “Yo los felicito y animo a que sigan”.

A la casona amarilla de la Arquidiócesis de Guadalajara, estilo colonial, dos cuadras adelante de la plaza de Tlaquepaque, sede turística del mariachi, la resguarda una camioneta de la policía municipal y una de la policía estatal. Esa tarde azulada toqué al portón de la residencia del cardenal Sandoval Íñiguez. Una monja me abrió. Así que ésta era la famosa casa que causó escozor al ser retratada en la revista Quién. Es una finca amplia del siglo xix, bien cuidada. Una enramada de maracuyá cubre la entrada del jardín, en donde hay árboles frutales de gran tamaño y una capilla, minúscula, con aire gótico. En el pasto deambulan algunos perros, y están distribuidas en el jardín cuatro o cinco jaulas de gran tamaño con loros, tucanes y un mono pequeño. En una esquina, bardeada, atisbé una piscina.

El cardenal salió al jardín a recibirme. El hombre robusto y de cara redonda lucía su vestimenta tradicional: pantalón y camisa negros, con el cuello blanco clerical. Un crucifijo de oro, de unos diez centímetros de largo, cruzaba su pecho y descansaba sobre su vientre voluminoso. Sonriente, me extendió su mano grande y carnosa.

Conseguí esta entrevista tras días de insistencia. Dos veces antes me la canceló su vocero, el padre Antonio Gutiérrez. Primero, por el alboroto de la demanda de Ebrard contra el purpurado. Propuse no tocar el tema jurídico. Luego, por la carta anónima que un grupo de sacerdotes publicó en la revista Proceso. Lo acusaban de autoritario y por despilfarro al erigir el monumental Santuario de los Mártires en honor a veintiséis santos cristeros, además de posible malversación de fondos del Seminario Diocesano a su cargo, principal semillero sacerdotal del país. Lo instaban a reconsiderar su posición sobre la homosexualidad y, para acabar pronto, le pedían que renunciara.

Sandoval Íñiguez es uno de los jerarcas católicos más controvertidos de México. En 2003, el ex procurador general de la República, Jorge Carpizo, lo demandó penalmente por el presunto delito de lavar dinero del narcotráfico. Salió ileso. Después la periodista Sanjuana Martínez documentó su encubrimiento de sacerdotes pederastas en la Casa Alberione en su libro Prueba de fe publicado en 2007. Nada pasó. “Es el gran impune de México”, Sanjuana me dijo alguna vez. Ahora Sandoval Íñiguez es noticia por su posición homofóbica. “El cardenal está muy vulnerable”, me dijo su vocero al cancelarme la segunda vez. “Déjeme por lo menos saludarlo”, pedí y accedió.

Al ir a su oficina no lo vi vulnerable, sino macizo, de buen talante, por lo que no dudé en pedirle la entrevista. Para mi sorpresa, aceptó.

Cruzamos al lado del comedor de estilo rebuscado. Llegamos a su despacho, algo frío y oscuro. Los libreros estaban llenos de títulos religiosos y de historia. En la cúspide del estante, detrás de su escritorio, hay un retrato de la Virgen de Guadalupe. Debajo de ésta, en el entrepaño más alto, un pavorreal disecado reposaba, tieso, sobre naturaleza sintética.

Cristina Elizabeth Díaz, su jefa de prensa, estuvo en la entrevista. La treintañera dulce y alegre tiene meses trabajando con él. “¡Es un bombonazo! ¡Es como un abuelito!”, así me lo describió en la víspera.

El hombre de voz grave, algo rasposa, se sentó frente a su escritorio. Me contó de su infancia en Yahualica, en una familia de diez hijos, con una madre muy religiosa. De cómo a los doce años ingresó al Seminario y a los diecinueve viajó a Roma para ser sacerdote. Él nació en los Altos de Jalisco, la región donde pervive con mayor fuerza la raíz cristera. Rememoró cómo en la guerra cristera un párroco de la zona fue fusilado. Y cómo ahí sigue viva la memoria de esa guerra, “porque todavía quedan hijos de mártires, nietos de mártires”. Dijo que lo agreste de los Altos se imprimió en su carácter “un poco de violencia”, pues ahí la tierra es “dura” de trabajar, y él reacciona con arrebatos “cuando me quieren así como dominar o engañar, o no hacer caso, entonces me pongo así, duro, me sale el carácter”.

Entramos al tema de laicismo y familia mientras Cristina Elizabeth nos acercaba un vaso con agua. Me sentí como una equilibrista suspendida sobre temas polémicos. Mi reto era tener una charla en la que el cardenal me expusiera su pensamiento sobre la homosexualidad.

Sandoval Íñiguez había estado días antes en una reunión cardenalicia celebrada en Roma a fines de noviembre. Ahí, frente al Papa y un centenar de cardenales, habló sobre libertad religiosa en México. En ocho minutos les expuso, “sin nombrar a nadie, a ninguna autoridad”, cómo en su opinión se le coartó su libertad de expresión al defender “a la familia y la vida”. “Eso fue lo que dije: ‘La libertad religiosa está coartada en México. Creo que eso no debe ser. Porque no debe haber ciudadanos de primera y de segunda'”, dijo. Me explicó su visión de sociedad, en la que no hay cabida para el Estado laico, pues la “ley natural” de la familia, formada por una pareja heterosexual, se antepone a las leyes del Estado. “Sin familia no hay clan, ni tribu ni Estado. Ésta es anterior, en existencia y en derecho. Entonces al Estado le corresponde reconocer los derechos de la familia y tutelarlos”. En ese sentido, “el Estado no está facultado, no puede manipular un matrimonio”, dijo en alusión a las bodas gays.

La charla devino en su reciente carta pastoral “En ocasión del Bicentenario, del Centenario y de la situación actual”. Él considera que, tras la caída de las ideologías, vivimos una era de posmodernidad con desesperanza en la gente, por lo que aquí y allá “están puestos a la droga, al alcohol, al sexo”. Él no ve la situación de forma circunstancial, sino como producto de una estrategia del primer mundo que usa como armas al homosexualismo y al feminismo contra la familia heterosexual procreadora. A esta tesis la llamó “maltusianismo”. En 1880, Thomas Malthus auguró que la población crecería con más velocidad que la producción alimentaria. De no intervenir, el nacimiento de nuevos seres provocaría la pauperización gradual de la especie humana e incluso su extinción. Un sacerdote católico, Michel Schooyans, retomó este planteamiento sobre el que descansan numerosas políticas públicas para denunciar la intercesión de organismos como la ONU o el Banco Mundial. Sus estrategias promueven métodos anticonceptivos, el derecho al aborto y los derechos de diversidad sexual, que van contra los preceptos de la Iglesia.

Con eso Sandoval Íñiguez no quiso decir que el primer mundo inventó la homosexualidad. “Siempre ha existido por alguna razón, la novedad es que ahora se le quiera imponer como algo muy importante y hasta deseable”. Ahí es donde tiene la culpa el maltusianismo.

—El maltusianismo es esa tendencia de reducir la población del mundo a como dé lugar, sobre todo en los pueblos del tercer mundo, para que no se consuman los recursos de la Tierra. Entonces, una de las avenidas del maltusianismo es la homosexualidad. Naturalmente la homosexualidad es infecunda, y en lugar de que estos jóvenes se casen y tengan dos, tres, cuatro o cinco hijos, se juntan entre sí y no tienen nada. Entonces, entre más porcentaje haya de uniones de personas del mismo sexo, la natalidasd baja, por supuesto.

—¿No piensa usted que es una cuestión de opción?

—No, es una estrategia del maltusianismo.

—¿Quién impulsa esta estrategia?

—Apunte ahí un libro para que se documente: Schooyans, El evangelio ante el desorden mundial, o La cara oculta de la ONU, son libros de un miembro de la Academia Pontificia de la Ciencia, muy documentado. Trae una exposición de ese asunto de lo que estamos hablando. Por eso cuando le digo a usted que se trata de una estrategia, es una estrategia.

—¿Una estrategia en los países pobres o en todo el mundo?

Con eso Sandoval Íñiguez no quiso decir que el primer mundo inventó la homosexualidad. “Siempre ha existido por alguna razón, la novedad es que ahora se le quiera imponer como algo muy importante y hasta deseable”. Ahí es donde tiene la culpa el maltusianismo.

—El maltusianismo es esa tendencia de reducir la población del mundo a como dé lugar, sobre todo en los pueblos del tercer mundo, para que no se consuman los recursos de la Tierra. Entonces, una de las avenidas del maltusianismo es la homosexualidad. Naturalmente la homosexualidad es infecunda, y en lugar de que estos jóvenes se casen y tengan dos, tres, cuatro o cinco hijos, se juntan entre sí y no tienen nada. Entonces, entre más porcentaje haya de uniones de personas del mismo sexo, la natalidasd baja, por supuesto.

—¿No piensa usted que es una cuestión de opción?

—No, es una estrategia del maltusianismo.

—¿Quién impulsa esta estrategia?

—Apunte ahí un libro para que se documente: Schooyans, El evangelio ante el desorden mundial, o La cara oculta de la ONU, son libros de un miembro de la Academia Pontificia de la Ciencia, muy documentado. Trae una exposición de ese asunto de lo que estamos hablando. Por eso cuando le digo a usted que se trata de una estrategia, es una estrategia.

—¿Una estrategia en los países pobres o en todo el mundo?

—En todo el mundo, pero a los países pobres se les impone con sanciones económicas muy fuertes. Y como los países pobres están endeudados, tienen que acceder.

La entrevista fluía, aunque me pareció que el cardenal se cuidaba en su lenguaje.

—Ahora habla de una relación infecunda —incursioné en terreno prohibido—, la Suprema Corte aprobó la posibilidad de adopción por… —no pude terminar.

—Ése es un asunto del que ya no quiero hablar. ¡Ya no le busque! ¡Dejémosle ahí! —alzó la mano y rebanó el aire.

La plática desembocó en otros despeñaderos. La entrevista culminó con la confirmación de la cita para el registro fotográfico del siguiente día.

En la sesión de fotos el cardenal estuvo particularmente alegre. Era jueves, su día de descanso, en el que acostumbra jugar golf tras hacer su oración matutina. La fotógrafa Phoebe Ling le solicitaba: “Por favor, mire para acá, póngase serio, ¿puede acercarse al loro?”. Él accedía de buena manera. Solicitamos que de favor se pusiera su vestimenta cardenalicia y posara junto a las tres religiosas que lo asisten. “Dile a las hermanas que se peinen”, pidió en broma a Cristina Elizabeth.

Al concluir la sesión, solicité a Cristina Elizabeth hacerle al cardenal un par de preguntas más. Aceptó. Nos sentamos en los sillones de vinil del pasillo. Respondió con la vista hacia el jardín. Negó las acusaciones en su contra sobre su presunta riqueza. La finca, dijo, era de la Arquidiócesis. “No poseo un metro de tierra, que quede claro”, me externó un día antes. Inquirí entonces sobre la carta anónima de los sacerdotes que lo acusan de poder desmedido y corrupción.

fuertes. Y como los países pobres están endeudados, tienen que acceder.

La entrevista fluía, aunque me pareció que el cardenal se cuidaba en su lenguaje.

—Ahora habla de una relación infecunda —incursioné en terreno prohibido—, la Suprema Corte aprobó la posibilidad de adopción por… —no pude terminar.

—Ése es un asunto del que ya no quiero hablar. ¡Ya no le busque! ¡Dejémosle ahí! —alzó la mano y rebanó el aire.

La plática desembocó en otros despeñaderos. La entrevista culminó con la confirmación de la cita para el registro fotográfico del siguiente día.

En la sesión de fotos el cardenal estuvo particularmente alegre. Era jueves, su día de descanso, en el que acostumbra jugar golf tras hacer su oración matutina. La fotógrafa Phoebe Ling le solicitaba: “Por favor, mire para acá, póngase serio, ¿puede acercarse al loro?”. Él accedía de buena manera. Solicitamos que de favor se pusiera su vestimenta cardenalicia y posara junto a las tres religiosas que lo asisten. “Dile a las hermanas que se peinen”, pidió en broma a Cristina Elizabeth.

Al concluir la sesión, solicité a Cristina Elizabeth hacerle al cardenal un par de preguntas más. Aceptó. Nos sentamos en los sillones de vinil del pasillo. Respondió con la vista hacia el jardín. Negó las acusaciones en su contra sobre su presunta riqueza. La finca, dijo, era de la Arquidiócesis. “No poseo un metro de tierra, que quede claro”, me externó un día antes. Inquirí entonces sobre la carta anónima de los sacerdotes que lo acusan de poder desmedido y corrupción.

—Una carta anónima no vale un centavo, no vale nada, y en la Iglesia, para que todo el mundo lo sepa, se lo he dicho a los sacerdotes, un anónimo no cuenta. El que acuse, delate, critique, sea hombre, póngale su firma, para poder aclarar las cosas, como se trata entre gente civilizada y con carácter.

También negó que en la Casa Alberione, un centro terapéutico sacerdotal, aislado y vigilado, hubiera curas pederastas. Según él ahí se atiende a curas alcohólicos o drogadictos.

—¿Y homosexuales?

—Homosexuales sí, pederastas no —remarcó con el dedo índice.

Ya para concluir, pregunté su opinión de las bodas gays. “Si quieren vivir juntos son muy libres, pero que no lo presuman ni quieran que sea matrimonio”. Siguió con la mirada en el jardín. Los dedos de su mano tamborileaban sobre su pierna en gesto de impaciencia.

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Manifiesto (hablo por mi diferencia), por Pedro Lemebel

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No soy Passolini pidiendo explicaciones
No soy Ginsberg expulsado de Cuba
No soy un marica disfrazado de poeta
No necesito disfraz
Aquí está mi cara
Hablo por mi diferencia
Defiendo lo que soy
Y no soy tan raro
Me apesta la injusticia
Y sospecho de esta cueca democrática
Pero no me hable del proletariado
Porque ser pobre y maricón es peor
Hay que ser ácido para soportarlo
Es darle un rodeo a los machitos de la esquina
Es un padre que te odia
Porque al hijo se le dobla la patita
Es tener una madre de manos tajeadas por el cloro
Envejecidas de limpieza
Acunándote de enfermo
Por malas costumbres
Por mala suerte
Como la dictadura
Peor que la dictadura
Porque la dictadura pasa
Y viene la democracia
Y detrasito el socialismo
¿Y entonces?
¿Qué harán con nosotros compañero?
¿Nos amarrarán de las trenzas en fardos
con destino a un sidario cubano?
Nos meterán en algún tren de ninguna parte
Como el barco del General Ibañez
Donde aprendimos a nadar
Pero ninguno llegó a la costa
Por eso Valparaíso apagó sus luces rojas
Por eso las casas de caramba
Le brindaron una lágrima negra
A los colizas comidos por las jaibas
Ese año que la Comisión de Derechos Humanos
no recuerda
Por eso compañero le pregunto
¿Existe aún el tren siberiano
de la propaganda reaccionaria?
Ese tren que pasa por sus pupilas
Cuando mi voz se pone demasiado dulce
¿Y usted?
¿Qué hará con ese recuerdo de niños
Pajeandonos y otras cosas
En las vacaciones de Cartagena?
¿El futuro será en blanco y negro?
¿El tiempo en noche y día laboral
sin ambigüedades?
¿No habrá un maricón en alguna esquina
desequilibrando el futuro de su hombre nuevo?
¿Van a dejarnos bordar de pájaros
las banderas de la patria libre?
El fusil se lo dejo a usted
Que tiene la sangre fría
Y no es miedo
El miedo se me fue pasando
De atajar cuchillos
En los sótanos sexuales donde anduve
Y no se sienta agredido
Si le hablo de estas cosas
Y le miro el bulto
No soy hipócrita
¿Acaso las tetas de una mujer
no lo hacen bajar la vista?
¿No cree usted
que solos en la sierra
algo se nos iba a ocurrir?
Aunque después me odie
Por corromper su moral revolucionaria
¿Tiene miedo que se homosexualice la vida?
Y no hablo de meterlo y sacarlo
Y sacarlo y meterlo solamente
Hablo de ternura compañero
Usted no sabe
Cómo cuesta encontrar el amor
En estas condiciones
Usted no sabe
Qué es cargar con esta lepra
La gente guarda las distancias
La gente comprende y dice :
Es marica pero escribe bien
Es marica pero es buen amigo
Super-buena onda
Yo acepto al mundo
Sin pedirle esa buena onda
Pero igual se ríen
Tengo cicatrices de risas en la espalda
Usted cree que pienso con el poto
Y que al primer parrilazo de la CNI
lo iba a soltar todo
No sabe que la hombría
Nunca la aprendí en los cuarteles
Mi hombría me la enseño la noche
Detrás de un poste
Esa hombría de la que usted se jacta
Se la metieron en el regimiento
Un milico asesino
De esos que aún están en el poder
Mi hombría no la recibí del partido
Porque me rechazaron con risitas
Muchas veces
Mi hombría la aprendí participando
En la dura de esos años
Y se rieron de mi voz amariconada
Gritando: Y va a caer, y va a caer
Y aunque usted grita como hombre
No ha conseguido que se vaya
Mi hombría fue la mordaza
No fue ir al estadio
Y agarrarme a combos por el Colo Colo
El fútbol es otra homosexualidad tapada
Como el box, la política y el vino
Mi hombría fue morderme las burlas
Comer rabia para no matar a todo el mundo
Mi hombría es aceptarme diferente
Ser cobarde es mucho más duro
Yo no pongo la otra mejilla
Pongo el culo compañero
Y esa es mi venganza
Mi hombría espera paciente
Que los machos se hagan viejos
Porque a esta altura del partido
La izquierda tranza su culo lacio
En el parlamento
Mi hombría fue difícil
Por eso a este tren no me subo
Sin saber dónde va
Yo no voy a cambiar por el marxismo
Que me rechazó tantas veces
No necesito cambiar
Soy más subersvo que usted
No voy a cambiar solamente
Porque los pobres y los ricos
A otro perro con ese hueso
Tampoco porque el capitalismo es injusto
En Nueva York los maricas se besan en la calle
Pero esa parte se la dejo a usted
Que tanto le interesa
Que la revolución no se pudra del todo
A usted le doy este mensaje
Y no es por mí
Yo estoy viejo
Y su utopía es para las generaciones futuras
Hay tantos niños que van a nacer
Con una alita rota
Y yo quiero que vuelen compañero
Que su revolución
les dé un pedazo de cielo rojo
Para que puedan volar.

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